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Filosofia Ubuntu: eu sou o resultado do todo

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Filosofia ubuntu

Talvez você ainda não esteja familiarizada com a filosofia Ubuntu, mas tenha certeza de que irá se apaixonar por essa forma de viver a vida. Antes de mais nada, vamos tentar traduzir essa palavra africana.

Ubuntu  é um termo Zulu das línguas Nguni e Xhosa. Ela carrega uma definição bastante ampla de uma qualidade que inclui as virtudes humanas: eu sou porque nós somos.

É exatamente isso que você leu. Nessa filosofia, o indivíduo é produto de toda a comunidade. Apesar de único, ele não leva o individualismo no topo de seus pensamentos e sim o bem comunitário.

O nosso bem-estar está intimamente ligado ao dos outros. Ninguém pode viver completamente sozinho e ainda ser feliz,não é mesmo? A filosofia Ubuntu, baseia-se precisamente neste princípio.

Desmond Tutu e Mandela: precursores da filosofia Ubuntu

Tanto Desmond Tutu quanto o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela foram precursores na disseminação da filosofia Ubuntu. A fim de livrar a áfrica de um regime racista, o Apartheid, Mandela usou essa filosofia de vida em suas campanhas para trazer um acalento e consciência à população. O que acabou dando muito certo.

Certa vez, Mandela usou um bom exemplo para explicar aos estrangeiros o que seria o Ubuntu. Confira:

“Imagine um viajante que viaja através das extensões de um país. Assim que ele chega a uma vila ou cidade, ele não precisa pedir comida, mas é oferecido comida assim mesmo, além de um lugar para dormir e outras coisas que ele precisa. Isso é Ubuntu.”

Desmond Tutu escreve em seu livro “Nenhum futuro sem reconciliação” o seguinte:

“Uma pessoa com Ubuntu é aberta e acessível aos outros, sente-se validada pelos outros e não ameaçada, mas sabe sobre as habilidades e bondade dos outros. Ele ou ela possui um forte senso de identidade que vem de saber que ele ou ela pertence a um todo maior.”

O Ubuntu foi projetado para encorajar as pessoas a abrirem seus corações e compartilhá-los com os outros. Sem medos e, principalmente, sem se sentir desamparado.

O eu não existe no Ubuntu? Como lidar com o egoísmo?

Muitas pessoas acreditam que ao adotar a filosofia Ubuntu estariam abrindo mão de sua individualidade. No entanto, não é exatamente isso que acontece.

Pensar no seu bem faz parte da filosofia. Afinal, se um indivíduo não está bem, o coletivo também não estará. Por isso, deve-se aprender a trazer amor próprio e amor pelos outros em um relacionamento saudável. 

Egoísmo, inveja e ciúmes são um problema para muitas pessoas, pois impedem o compartilhamento da felicidade com os outros. Sim, é preciso ter uma elevação espiritual bem desenvolvida para ficar feliz com o sucesso de outra pessoa, especialmente quando se encontra em uma situação de vida difícil e o outro nunca passou por problemas (quem nunca?).

A filosofia Ubuntu explica que o ideal não é extinguir esses sentimentos, mas sim saber como falar sobre eles com os outros a fim de reconsiderar o pensamento. Esta é a única maneira de compartilhar que você é humano e também vulnerável.

Portanto, se a pessoa começar a pensar menos com o “eu” e mais com o “nós”, esses sentimentos também podem ser dialogados e você pode até encontrar as mesmas inseguranças do outro lado.

Ou seja, você até pode começar a pensar que a grama do vizinho é mais verde, mas ao final vai descobrir que ambos têm o mesmo jardim.

A teoria é linda, mas e na prática?

Em uma sociedade como a nossa, em que o individualismo e o imediatismo reinam absoluto, muitas vezes é difícil colocar os interesses do grupo à frente do interesse próprio. Dessa forma, envolver os outros expande e aprofunda as próprias possibilidades de auto entendimento. 

Mas como praticar a filosofia Ubuntu em um espaço como esse? As práticas são mais simples do que você imagina.

Vamos supor que você conquistou um novo cargo e ficou muito feliz com isso. Que tal comemorar isso com um grupo de pessoas? Você pode cozinhar para todos, partilhar esse alimento e a notícia boa.

Viu? A notícia boa aconteceu com você, mas trouxe benefício para seus amigos, que compartilharam de sua felicidade. Quer ir mais além? Você também pode doar cestas básicas, roupas ou o que for necessário para uma comunidade carente. Você estará dividindo a felicidade da mesma forma e também estará ajudando.

Fazer o bem ao outro é fazer bem para si mesmo

Boa parte das religiões e filosofias enfatizam o lado positivo de fazer o bem uns aos outros. Todas elas se alimentam da ideia de que o que nos conecta, humanos, é sempre mais forte do que o que nos separa uns dos outros.

Por isso, sempre pense em como você pode mudar a vida de uma pessoa ou de uma comunidade. Seja ajudando com mantimentos ou até mesmo ensinando uma nova profissão.

Nem tudo na vida é lucro ou vantagem. Quanto mais você se fecha em si mesma, mais está se afastando da filosofia Ubuntu e, consequentemente, das pessoas também. 

Atitudes simples como ajudar em uma horta comunitária, limpar a sua calçada e a do vizinho, plantar mais flores e árvores no seu bairro, dar carona para os colegas do seu filho é uma forma de compartilhar a alegria e oferecer isso aos outros.

Na próxima vez que algo bom acontecer a você, pense no que você pode fazer de bom para o próximo. Veja essa corrente do bem se estender e se multiplicando.

Espero que a filosofia Ubuntu tenha mudado algo em você da mesma forma que mudou em mim.

Um grande abraço e não esqueça que eu sou, porque nós somos! ✨🙏

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