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Como a comunicação não violenta transforma diálogos e relações

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comunicação não violenta

Se você procura um um método prático e seguro para trazer mais harmonia para os seus relacionamentos, a comunicação não violenta pode te ajudar. Também conhecida como CNV, trata-se de uma ferramenta de comunicação capaz de transformar as interações humanas de modo simples e eficiente, evitando conflitos que podem gerar desentendimentos e evitar que tomem proporções maiores.

Não é segredo para ninguém que o primeiro passo para um mundo melhor está na harmonia entre todas as pessoas. No entanto, devido ao estresse e à pressão que enfrentamos em nosso dia-a-dia, carregamos conosco conflitos em potencial, que podem se tornar maiores por pura dificuldade de expressarmos nossos sentimentos e necessidades.

Pensando nisso, o psicólogo americano Marshall Rosenberg criou a técnica da comunicação não violenta (CNV). Esta ferramenta nos ajuda a melhorarmos nosso relacionamento conosco mesmo e com o mundo, com respeito e consciência.

O que é a CNV (comunicação não violenta) e como ela surgiu?

Índice do Conteúdo

Para entender o que é a CNV (comunicação não violenta) e como ela foi criada pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg, precisamos falar um pouco de suas experiências pessoais e profissionais em contextos marcados por violência, exclusão e preconceito.

Ainda jovem, Rosenberg vivenciou o antissemitismo, e mais tarde atuou em comunidades afetadas por conflitos raciais, como os ocorridos em Detroit na década de 1960. Também conhecidos como Distúrbios de Detroit, estes conflitos foram confrontos raciais entre pessoas negras e o departamento de Polícia acontecidos na década de 60.

Rosenberg notou que a comunicação tinha um papel fundamental no desenrolar dos acontecimentos. Da mesma forma que, em muitos casos, o preconceito acabava gerando conflitos violentos em alguns casos, também havia pessoas que agiam com compaixão, contribuindo e agindo positivamente com a vida daqueles ao seu redor.

Segundo ele, quando diálogos não acontecem de modo autêntico, não conseguimos expressar o que sentimos e o que desejamos. Quando não aprendemos a comunicar nossas necessidades e convicções de modo positivo, corremos um grande risco de fazê-lo de modo negativo, criando situações onde podemos atacar, desqualificar ou invalidar a experiência alheia.

A chave para atingir o equilíbrio em nossas expressões? A comunicação não violenta, que nos ajuda a praticar a empatia, reconhecer nossas necessidades e sentimentos, e a expressar nossos desejos de maneira clara e positiva, transformando não apenas nossa relação com os outros, mas também conosco mesmos.

Como praticar a comunicação não violenta?

A comunicação não violenta é formada por quatro componentes básicos. É importante conhecê-los para entender melhor como praticar a comunicação não violenta. São eles:

  • Observação
  • Sentimentos
  • Necessidades
  • Pedidos

Vamos pensar no que cada um deles significa?

Observação: fatos e objetividade

Na CNV (comunicação não violenta), a observação nos ensina a observar os fatos como eles são, e comunicá-los de forma objetiva e simples – ou seja, uma descrição prática e fatual da situação.

Neste passo, em vez de descrever uma situação de modo negativo, devemos descrever a situação de forma neutra, do mesmo modo que qualquer pessoa que a testemunhasse o faria. Sem acusações e sem interpretações pessoais – ou seja, por meio de pura observação em vez de julgamento.

Seguem alguns exemplos de situações que caracterizam julgamento e suas versões na CNV:

  1. Julgamento: “Você não está nem aí para mim!”

CNV: “Você não respondeu à minha mensagem ontem.”

  1. Julgamento: “Você sempre chega atrasado(a)!”

CNV: “Hoje, você chegou 10 minutos após o horário que marcamos.”

  1. Julgamento: “Você nunca me escuta!”

CNV: “Notei que você estava um pouco distraído(a) durante nossa conversa hoje.”

Quando descrevemos uma situação de maneira clara e sem julgamentos, concentramo-nos na questão em si e não nas nossas próprias frustrações, aumentando consideravelmente as chances de a conversa continuar.

Sentimentos: a vulnerabilidade que nos aproxima uns dos outros

A comunicação não violenta nos ensina a prestar atenção em como nos sentimos realmente, sem expressar pensamentos sobre a pessoa ou situação.

Neste passo da CNV, é importante observar os que determinada situação causa em nós mesmos. Assim, podemos diferenciar sentimentos verdadeiros de sentimentos disfarçados – ou seja, frustrações que estejam diretamente ligadas a outras pessoas. Estes sentimentos também são chamados de pseudo-sentimentos.

Abaixo, listamos alguns exemplos de pseudo-sentimentos e como transformá-los com a comunicação não violenta.

  1. Pseudo-sentimento: “Eu me sinto rejeitado(a).”

CNV: “Eu estou me sentindo confuso(a).” / “Eu me sinto sozinho(a).”

  1. Pseudo-sentimento: “Eu me sinto ignorado(a).”

“Eu me sinto sozinho(a).” / “Eu me sinto / Isso me deixa triste.”

  1. Pseudo-sentimento: “Eu me sinto ofendido(a).”

“Eu me sinto envergonhado(a).” / “Isso me deixa com raiva.”

Necessidades: parte da experiência humana

Assim como toda situação de conflito desperta um sentimento, é importante entendermos que estes sentimentos são, na verdade, reflexos de uma necessidade.

Por trás de cada escolha, ponto de vista e situação, existe uma necessidade motivadora. Estas necessidades estão presentes em todos os seres humanos, qualquer que seja a sua origem, educação, idade ou vivência.

Entender estas necessidades é um passo fundamental para compreendermos a situação como um todo. Quando o fazemos, nos comunicamos de modo objetivo. Além disso, tornamos a experiência positiva, já que podemos nos concentrar em um objetivo em vez de nossas frustrações.

Seguindo os exemplos acima:

  1. Sentimento: “Eu me sinto sozinho(a).” / “Eu me sinto confuso(a).”

Necessidade: “Eu gostaria que tivéssemos uma conexão.” / “Eu quero desenvolver nossa intimidade.” / “Gostaria de ser reconhecido(a) como parte da nossa vida.” / “Gostaria de compreender melhor a nossa situação.” / “Gostaria de estabelecer mais claramente nossa relação.”

  1. Sentimento: “Eu me sinto sozinho(a).” / “Eu me sinto / Isso me deixa triste.”

Necessidade: “Quero me sentir incluído(a).” / “Quero participar de algo.” / “Quero estabelecer uma conexão que traga alegria para nós dois(duas).”

  1. Sentimento: “Eu me sinto envergonhado(a).” / “Isso me deixa com raiva.”

Necessidade: “Eu preciso do seu respeito / da sua consideração / do seu reconhecimento.”

Pedidos claros: atendendo aos sentimentos e necessidades

Embora os componentes da comunicação não violenta de que falamos acima não sejam exatamente passos que devam ser seguidos em uma ordem, o componente dos pedidos só pode ser feito após termos identificado os demais.

Isso porque este passo da CNV resume a comunicação de forma positiva. Para que seja verdadeira, no entanto, é preciso diferenciar os falsos sentimentos e necessidades, e observar a situação de modo objetivo.

Mantendo a mesma linha do passo anterior, seguem algumas sugestões de pedidos claros que podem ser aplicados aos sentimentos e necessidades acima.

  1. Necessidade de conexão / intimidade / reconhecimento / relacionamento

Pedido claro: “Vamos encontrar uma solução que agrade a nós dois (duas)?” / “Vamos fazer uma atividade que nós dois (duas) possamos aproveitar?”

  1. Necessidade de inclusão / participação / conexão

Pedido claro: “Vamos encontrar algo que possamos fazer juntos(as)?” / “Que tal se reservarmos todas as sexta-feiras para passarmos o dia juntos(as)?” / “Que tal se formos juntos ao próximo jantar com a minha família?”

  1. Necessidade de respeito / consideração / reconhecimento

“Você pode guardar o celular enquanto assistimos a este programa?” / “Podemos conversar sem interrupções?” / “Vamos encontrar uma maneira de fazer esta atividade que seja confortável para nós dois (duas)?”

Trazendo a CNV para nosso dia-a-dia

É importante ressaltar que os componentes da CNV não devem ser vistos como ordens, mas sim como convites. Afinal, uma parte muito importante da comunicação não violenta é que seja feita com harmonia, empatia e honestidade.

Por isso, vale meditar bastante para praticar o autoconhecimento e poder ouvir a voz do seu eu superior e se abrir para as infinitas possibilidades da comunicação não violenta.

Além disso, vale lembrar que, embora não percebamos, podemos estar praticando uma comunicação mais ofensiva sem nos darmos conta, em diversas áreas de nossas vidas. Por isso, uma boa pedida é analisar os componentes de que falamos acima em diversas áreas.

Pode ser bastante interessante, por exemplo, perceber que os componentes da CNV podem ser aplicados em diversas áreas de nossas vidas: nas amizades, nos relacionamentos íntimos, na comunicação em família e até mesmo no trabalho.

Como praticar a comunicação não violenta é algo que muitas vezes não estamos acostumados(as) a fazer, dominar seus segredos pode requerer bastante atenção e cuidado. Como a prática faz a perfeição, pode ser bem legal prestar atenção ao nosso modo de nos expressarmos para entender como a CNV pode transformar todos os nossos relacionamentos.

Caso você precise de ajuda, saiba que existem inúmeros recursos para aprender sobre a comunicação não violenta, que podem ser úteis nesse processo.

Além disso, se sentir que precisa conhecer melhor a si mesmo(a) antes de começar a praticar, pode ser uma boa pedida falar com um dos nossos consultores, que podem te ajudar a analisar melhor a sua situação e como desenvolvê-la de modo positivo.

Onde posso aprender sobre comunicação não violenta (CNV)?

Os recursos e fontes onde aprender sobre comunicação não violenta são inúmeros, e vão desde cursos online a terapias individuais ou em grupo.

Diversas entidades oferecem workshops sobre este assunto, além de conteúdos digitais e comunidades dedicadas ao assunto nas redes sociais. Por meio de vídeos e aulas online você pode aprender dicas para utilizar no seu dia-a-dia. Ah, e vale fazer uso das hashtags para refinar a sua busca: pesquisando por #CNV e #comunicaçãonãoviolenta, você encontra diversos materiais de qualidade.

Existem ainda muitos livros sobre comunicação não violenta. Para começar, listamos aqui três livros do próprio Marshall Rosenberg, que com certeza poderão te auxiliar:

Boa sorte em sua busca!

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